Entrevista: Francis Cassol fala sobre mudanças no Scelerata e planos futuros da banda

TMW: Primeiramente fico feliz de ter a oportunidade de entrevistar um musico tão completo como você. Bem, o Scelerata criou um grande nome no metal nacional, porém ficou um período em hiato. A que se deve exatamente essa pausa? E como foi a volta da banda às atividades?

Francis: Oi Gabriele! Imagina, estou muito longe de ser um músico completo, mas agradeço pelas palavras. É um prazer enorme conceder essa entrevista para o Metal World!

A banda sempre trabalhou sério, buscando fazer as parcerias corretas, mas principalmente fazendo música boa. Essa sempre foi a principal razão da existência da banda: buscar compor músicas e letras de alto nível. Felizmente conseguimos criar um nome forte dentro do cenário do heavy metal nacional, mas sofremos muito com mudanças de formação.

O hiato se deveu justamente a isso. Repor integrantes em uma banda como o Scelerata é uma tarefa extremamente complexa, porque não basta encontrar bons músicos, o que por si só já é dificílimo. É preciso também que sejam pessoas engajadas, apaixonadas pela banda, que entendam como funciona a cena, que sejam de boa convivência, etc. Após o lançamento da música Down The Drain, em agosto de 2015, o Gustavo Strapazon (baixo) e o Daniel Breitenbach (guitarra) decidiram deixar a banda. Com isso ela ficou um ano sem tocar nem lançar nenhum material novo, mas nesse meio tempo se movimentou nos bastidores, ensaiando e compondo.

TMW: A volta da banda foi acompanhada de uma mudança na formação. Quais foram os critérios de escolha para os novos integrantes? Pode-se dizer que essa formação terá o mesmo sucesso que a anterior?

Francis: A volta da banda se deu de uma maneira inesperada para mim. Após a saída do Gustavo e do Daniel eu havia praticamente desistido da banda. Eu e o Jonathas Pozo (vocal) estávamos por montar uma banda nova, iniciar do zero, mesmo. Então o incrível guitarrista Leo Nunes me procurou se dizendo um grande fã da música do Scelerata e que sabia tocar grande parte do repertório. Fizemos alguns ensaios de composição em trio, ainda com o intuito de iniciar banda nova. Chegamos a fazer lista de nomes para a banda, inclusive.

Outro fato que ocorreu na época foi o interesse do Magnus Wichmann de se juntar a nós, e isso foi absolutamente determinante para que mantivéssemos o nome Scelerata. O Magnus é o principal compositor da banda, participou de todos os discos, então a presença dele justificava manter o nome. E o convite para que o Pedro Fauth (ex-Fighterlord) se juntasse a nós foi algo muito natural. Além de ser um dos melhores amigos meu e do Magnus, é um dos grandes baixistas do metal brasileiro e uma pessoa sensacional. Ele toca comigo na banda Street Flash, e estava há muitos anos sem ter um trabalho autoral, por isso topou na hora o convite, para a nossa felicidade.

Quanto a ter o mesmo sucesso, esperamos ter muito mais (risos)! Pelo menos estamos trabalhando para isso. O que posso dizer é que é praticamente unânime a opinião de que essa é a melhor formação que a banda já teve, o que nos dá a certeza de que estamos no caminho certo.

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TMW: Este ano é muito importante para o Scelerata, a banda está completando 15 anos de estrada. Nesse período quais as maiores dificuldades que a banda enfrentou? E quais os momentos mais gratificantes?

Francis: Sem dúvida nenhuma os momentos mais difíceis foram as mudanças de formação. Em alguns momentos demoramos muito para encontrar o substituto e em outros nos precipitamos. Os melhores, na minha opinião, foram a gravação na Alemanha das bateras para o álbum The Sniper, o lançamento desse disco e as cinco tours brasileiras que fizemos como banda de apoio de Paul DiAnno (ex-Iron Maiden).

TMW: 15 anos é muito tempo, uma vida praticamente. O que te fez lutar para manter viva a chama que fez o Scelerata se tornar grande?

Francis: Essa pergunta é fácil de responder: o amor pela música. Sou um apaixonado pela música, em especial pela música que o Scelerata faz. Toco na banda as músicas que mais gosto. Se eu não fosse membro da banda certamente seria o fã número 1, porque acho as músicas maravilhosas.

TMW: Com nova formação, certamente a banda possui alguns planos. Você poderia nos contar quais seriam eles? Um novo álbum estaria entre eles?

Francis: Sem dúvida! Estamos trabalhando nas novas composições e com planos de entrar em estúdio no verão de 2017. Enquanto isso estamos fazendo shows e lançando vídeos. Se você quer ver o Scelerata na sua cidade, fale com o produtor local e nos contate que teremos o maior prazer de mostrar o nosso som!

TMW: Agora falando um pouco da tua carreira em particular. O que te fez querer ser musico? E qual a importância da música na tua vida?

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Francis: Apesar de não ter nenhum músico na família, nem por parte de mãe e nem de pai, eu e meu irmão sempre ouvimos muita música quando moleques, principalmente no rádio. Não tive ninguém para me mostrar os artistas, as bandas, os compositores, porque meus pais não ouviam música em casa. Acabei conhecendo tudo sozinho e com amigos. A grande virada de apreciador para executor veio com o show do Guns N’ Roses no Rock in Rio 2, em 1991, que assisti pela TV. Esse show despertou em mim a vontade de tocar, e a bateria foi a minha primeira e única opção. Não passou pela minha cabeça tocar nenhum outro instrumento.

Hoje a música é tudo pra mim. Vivo dela e para ela. Toco, componho, estudo e ensino música.

TMW: Qual foi tua maior influência ao longo da tua carreira? E qual a pessoa que mais admira? Por quê?

Francis: Nossa, essa é difícil (risos)! Posso responder de uma outra forma. São duas as pessoas com quem mais tenho vontade de ter a possibilidade de poder sentar em uma mesa de bar para uma conversa: Lars Ulrich e Neil Peart. São dois gênios que admiro profunda e insanamente.

TMW: Muito obrigada pela entrevista, desejo tudo me melhor para ti e para o Scelerata. Para finalizar, qual conselho dá para músicos iniciantes?

Francis: Foi um prazer responder as suas perguntas, Gabriele! Meu conselho para os iniciantes é: saibam apreciar música! Aprendam a distinguir música boa da ruim! Isso nada tem a ver com estilo ou gosto musical, mas a ver com saber identificar música de verdade, não a música plastificada, que é feita para alguém ganhar dinheiro. A música verdadeira é aquela que expressa a verdade da pessoa que a compôs, ela tem algo a dizer. Encontre-a e seja feliz!

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