Entrevista: Angélica Burns, a musa do metal brasileiro

TMW: Primeiramente obrigada pela atenção, espero que curta a entrevista. Como mulher, você acredita que ainda exista alguma forma de preconceito com a figura feminina no metal?

Angélica Burns: Acredito que exista sim. Afinal, preconceito é acreditar ter o conceito de algo antes de realmente conhecê-lo. No meio metal, existe sempre aquele comentário quando veem uma mulher em uma banda: “Será que ela consegue tocar tão bem ou cantar tão bem como um homem?” Então existe aquela ideia e conceito de que mulher não tem a mesma capacidade do que o homem de tocar bem. Ou até mesmo a criação de gêneros de bandas com mulheres, o chamado metal feminino. Não há dúvidas de que existe sim preconceito. Ele não se estende a todos que frequentam o meio, mas é impossível negar sua existência.

TMW: Você em algum momento da carreira sofreu preconceito? Se sim, qual?

Angélica Burns: Claro. Ainda mais porque eu canto gutural. Toda vez que vou passar som numa casa de show nova, o técnico de som acaba se assustando quando começo a cantar. Porque existe o preconceito de que mulheres no metal só cantam lírico. Todos se assustam e falam nossa nunca imaginei que iria cantar assim. E o que é mais triste, é que muita vezes inspiro respeito por cantar gutural. Será que eu só inspiro respeito por cantar igual a um homem? Se eu cantasse lírico, não inspiraria respeito?Eu fico muitas vezes pensando sobre isso e nunca terei a resposta.

TMW: De modo geral, como você vê a cena do metal no Brasil  atualmente?

Angélica Burns: A cena do metal no Brasil é muito forte e fico muito feliz a cada dia surgirem novas bandas no país todo. Mas se a gente parar para pensar, o metal nasceu para como uma cultura marginal à cultura pop e essa essência nunca vai nos deixar. No mundo todo, o metal é um gênero que não ganha nos números, mas na paixão dos fãs fieis. No Brasil, isso não é muito diferente. São Paulo é a cidade onde o estilo mais floresce e permite que bandas e shows circulem por lá. Moro no Rio de Janeiro e infelizmente a cena aqui é um pouco mais parada comparada a de São Paulo. Mas não podemos esquecer que aqui rola o Rock in Rio e no ano passado tivemos dois dias do evento dedicados ao metal. Então além dos eventos locais de metal, temos a sorte de ter esse festival por aqui, já que muitas bandas internacionais não passam por aqui como em São Paulo.

TMW: A Hatefulmurder vem crescendo muito e ganhando muito reconhecimento nacional. Qual o segredo disso?

Angélica Burns: Trabalho, trabalho e trabalho. hahahaha Trabalhamos sem parar. Respiramos Hatefulmurder. Não aguentamos ficar parados e por isso a gente corre atrás o tempo todo de show, conteúdo, novidade para os nossos fãs. Dizem que um dos segredos para o sucesso é persistência. Isso nós temos de sobra! 🙂

TMW: A banda está trabalhando em seu novo disco. qual a maior inspiração deles? O que podemos esperar?

Angélica Burns: Nosso disco novo já está gravado. Vai se chamar” Red Eyes. Acho que é um disco feito muito à base de trabalho, fizemos inúmeros ensaios, sessões de composições. Com certeza é um disco muito inspirado. Podem aguardar uma banda mais madura, coesa e brutal!

TMW: A banda vem tendo oportunidades maravilhosas de tocar em grandes festivais e eventos. Como isso interfere na tua vida pessoal? O que mudou?

Angélica Burns: Mudou um pouco na questão de preparação. Temos ensaiado mais horas e isso tem tomado um pouco mais de nosso tempo. Além dos ensaios, também tenho que cuidar da saúde do corpo e da voz diariamente. Tenho dedicado mais tempo da minha vida em relação à isso, já que temos que estar 100% para tocar em grandes festivais.

TMW: Quando e por que tu decidiste entrar na música? Teve apoio da família?

Angélica Burns: Na verdade pra mim foi uma coisa bastante natural. Desde muito pequena sempre fui vidrada em música. Aos 6 ganhei um teclado do meu pai de tanto encher o saco dele. Descobri que não era minha praia. Aos 10 fui pro violão. Aos 15 ganhei minha guitarra. Aos 16, vendi minha guitarra e decidi finalmente focar na voz. Descobri que os instrumentos eram só uma desculpa para fazer o que eu realmente gostava, cantar. Desde lá tive bandas fixas e meu primeiro show foi aos 16 com uma banda de Arch Enemy Cover. Minha família sempre me apoiou e já se acostumou com essa minha vida de banda.

TMW: O Brasil está em um momento difícil, onde a música tem uma importante função. Abanda tende a se engajar com isso ou prefere ficar nula?

Angélica Burns: Temos nossas visões e praticamos o que acreditamos no dia-a-dia, não ficamos bradando ou cagando regra pela Internet. Nosso contato com nossos fãs é através da música. Quem ler as nossas letras, prestar atenção, vai entender que já somos engajados. Nós usamos a música para despertar nas pessoas um sentimento de libertação, de poder transformar a sua própria realidade. Eu acho isso especialmente importante nesse momento de desinformação que passamos no Brasil.

TMW: Para finalizar gostaria de te agradecer pelo tempo que nos disponibilizou e te parabenizar pela brilhante carreira que vem construindo. Que conselho dá para artistas iniciantes?

Angélica Burns: Não desistam! Se você quer muito tocar em uma banda, treine bastante e quando você achar que está bom, treine mais ainda. E sempre foque no seu objetivo. Só correr atrás do seu sonho, que um dia você chega lá!

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